Além de plágio, obra contra as enchentes tem acréscimo
Estudos de engenheiros constatam alta de até 69,12% nos itens concreto, aço e forma de cimento
José A. Souza/DF
Se não bastasse a denúncia de plágio nos projetos para as obras de combate às enchentes nos córregos Bagres e Cubatão, estudos apontam diferenças exorbitantes nos itens concreto, aço, forma e forma de cimento. Virgínio Henrique Vieira Reis e Taísa Cintra Chagas Franceschi apontam variações de preços entre 43,41% a 69,12% se comparado ao projeto de 2007 e o de 2010. Isso significa uma alta de R$ 683.083,50 no preço para a execução da obra.
Os valores e os quantitativos não integram o ofício que foi encaminhado ao CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), que apura denuncia contra a arquiteta Valéria Cristina Marson (secretária de Urbanismo e Habitação). A denúncia foi encaminhada ao órgão no início do mês sendo que algumas pessoas já foram ouvidas, afirmou Araken Seror Mutran, diretor regional do órgão.
Apenas a parte denunciada já prestou depoimento no CREA, enquanto os denunciantes ainda aguardam para ser ouvidos e apresentar mais documentação. Araken explicou que vai contar com ajuda de técnicos da capital para apurar os fatos - a denúncia, inclusive deverá ser encaminhada ao Ministério Público Estadual para que haja uma manifestação.
Alguns vereadores que acompanharam o caso ficaram surpresos com as acusações e pediram providências à administração para apurar a denúncia. "Isso não pode ser acompanhado de longe. A administração deve também apurar e verificar o que houve" disse um parlamentar da base governista que pediu para não ser identificado.
A maior surpresa, além da ocorrência de plágio ao projeto de combate às enchentes de 2007 com o que vem sendo executado de 2010 nos dois canais Bagres e Cubatão, está o valor de alguns itens.
No projeto de 2007, o orçamento realizado previa a utilização de forma plana (para concreto) num montante de 358,40 m² com um custo de R$ 20.126,27; forma plana (para concreto aparente) 6.085,31 m² com um valor de R$ 327.572,23; aço CA 50 montante de 153.113,12 kg cujo valor era de R$ 1.110.241,90; aço CA 60 com um quantitativo de 3.252,91kg custo de R$ 13.456,01 e concreto com resistência (30 mpa) total de 2.833,49 m³ cujo valor chegou a R$ 954.914,46, totalizando a soma de R$ 2.436.940,80.
No entanto, a soma dos gastos com o atual projeto - que vem sendo executado para combater às enchentes - chegou a R$ 3.120.024,30 na composição dos seguintes itens: forma de madeira 515 m² (R$ 29.282,45), forma chapa compensada 1.057,28 m² com valor de R$ 41.342,32; forma chapa compensada para estrutura 6.669,29 no valor R$ 359.007,88; aço CA 50 com a utilização de 266.065 kg no valor de R$ 1.920.989,30, além de concreto com resistência (30 mpa) num total de 2.272 m³ no valor de R$ 765.90230.
Como o primeiro projeto ficou em R$ 2.436.940,80 e o segundo e que esta sendo executado de R$ 3.120.024,30, a diferença registrada atingiu R$ 683.083,50.
O Ministério Público ainda não se posicionou sobre essa situação.
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