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O patriotismo está em extinção

No Dia da Independência, 7 de setembro, historiador denuncia falta de interesse e respeito da sociedade

Da Redação/DF

Os anos passam, as pessoas mudam e a história está sempre lembrando o passado. As lutas e os sangues que foram derramados para contribuir para a evolução e revolução do país ainda permanecem presentes na memória de muitos brasileiros, porém, há aqueles que, por desinteresse ou falta de conscientização, não têm ideia do que a nação enfrentou para chegar onde está.
Na semana em que foi celebrada o Dia da Independência, uma das datas mais importantes para a história, atividades de pouca expressão e adesão movimentaram um pequeno grupo de francanos. O desfile cívico, que tradicionalmente acontece em cidades da região e Franca foi suspenso.
Para alguns, a epidemia da gripe suína foi uma das responsáveis pelo cancelamento, mas o motivo, como mesmo afirmou a Secretaria de Educação, seria o número baixo de escolas que se inscreveram e a falta de interesse em participar do evento.
Há aqueles que crêem que cancelando eventos que envolvem muita gente irá impedir a proliferação do vírus, mas nos shows musicais, shoppings e cinema o público continua assíduo.
José Chiachiri Filho, historiador, deu uma aula nessa entrevista e revelou o que essa situação atual representa para a história e o que ela vai refletir no futuro para as novas gerações. Confira abaixo:


Diário da Franca - O que foi o Sete de Setembro?
José Chiachiri Filho - O Sete de Setembro é uma data fundamental para o Brasil, porque marca a sua independência política. A partir desse momento o Brasil ganha soberania e passa a falar o conceito das nações como uma nação livre. É o início de um novo país, um no Estado, e mais do que isso, o grande império da América. Na verdade, de fato, a Independência já tinha acontecido com a vinda de Dom Pedro declarou o Brasil Reino Unido de Portugal. Ali começa a Independência. Tanto que nos documentos nos cartórios, aqui em Franca também, considera que a Independência foi em 1821, e não em 1822. Se você pegar os documentos lá no Arquivo Histórico ou no Museu a data começa a partir de 1821 e não de ...22.

Diário da Franca - Qual cenário que se passava na época?
José Chiachiri Filho - Na época toda a Europa estava convulsionada com as ideias liberais. Havia em todos os cantos, em todos os países, a ideia de construção de limitação do poder do rei. O fim do resto de absolutismo que ainda havia. Então, fomentado pela Revolução Francesa, essas ideias se espalharam por toda a Europa e a ideia fundamental de uma construção limitasse o pode real e desse voz e vez e voto à burguesia que, naquela época era predominante. Agora na Europa essa luta foi um pouco diferente, porque essas mesmas ideias liberais aqui na América se transformaram em ideia de emancipação, de libertação. Não do jogo de um rei absolutista, mas do jogo da metrópole.

Diário da Franca - O que representa hoje essa data para os brasileiros?
José Chiachiri Filho - Bom, se nós não houvéssemos passado por isso nós ainda estaríamos ainda no jogo do governo português, ainda seríamos membros do estado português, não mais absolutista, evidentemente. O Brasil não seria o Brasil, seria uma parte dos portugueses.

Diário da Franca - Em Franca houve a suspensão do desfile cívico que comemora o Dia da Independência, isso em decorrência da falta de interesse das escolas, enfim, o que o senhor, como historiado e cidadão, acha dessa decisão?
José Chiachiri Filho - Bom, se essa decisão foi em virtude da gripe suína eu acho compreensível. Nós estamos numa época de epidemia global, e quanto mais aglomeração tiver, pior será. A contaminação será maior. Então se for para evitar isso, tudo bem. Eu acho correto. Não tem problema ficar um ano sem comemorar a Independência do Brasil, porque essa comemoração pode muito bem ter sido feita na própria escola. Aliás, devia-se escolher uma semana e nessa semana fazer a festividade, estudando o que significou a participação dos grandes nomes, comandado pela disciplina de história. Precisamos saber quem foram aqueles que fizeram essa nossa independência. É importante porque significa nossas raízes.

Diário da Franca - Ainda em relação à suspensão, a própria secretaria da Educação revelou que foi baixo o número de escolas que se inscreveram para participar do desfile. Vendo isso semanas antes da data, resolveram prorrogar a data de inscrição, mas mesmo assim a adesão foi baixa...
José Chiachiri Filho - Se não foi pela gripe suína, então é lamentável. Porque um desfile é um desfile, mas o de Sete de Setembro é uma homenagem que você presta à Pátria. É o aniversário de independência, de emancipação, de soberania da sua pátria. Então você precisa relembrar, restaurar de certa maneira. A juventude precisa disso. Tem um problema que enfrentamos hoje, é que o feriado esta sendo só para descanso. O feriado não esta servindo para algo nenhum. A pessoa quer o feriado para quê? Para descansar. E é até justo, mas esse feriado não é para descansar, e para fazer uma homenagem à Pátria. Ao símbolo, à bandeira. A Câmara Municipal de Vereadores, o que vai fazer na segunda? Nada, estará fechada. No dia do aniversário da cidade, o que a Câmara faz? Fecha. A Câmara tinha que fazer uma solenidade. É muito simples você propor o feriado e ficar sem promover nada.

Diário da Franca - E o senhor acha que a culpa é de quem nesse caso, autoridades, educadores...
José Chiachiri Filho - A culpa é da sociedade, da nossa sociedade. Da sociedade que deixa globalizar cada vez mais, mas esquecendo de suas próprias raízes. De seu passado, de seu ponto de referência. A culpa é geral, não é soda escolas. Hoje a gente escuta falar a palavra Pátria? É difícil não é? Parece que é difícil alguém mostrar seu amor à Pátria. Hoje a pessoas passa perto da bandeira e nem sabe o que é aquilo. Hoje nos campos de futebol cantam o Hino Nacional o torcedor está cantando o Hino do seu clube! Às vezes nem os jogadores respeitam. A sociedade está despersonalizada. Hoje é mais fácil o brasileiro comemorar o Quatro de Julho (Independência Americana) do que o Sete de Setembro.

Diário da Franca - Então o senhor acha que o patriotismo...
José Chiachiri Filho - O Patriotismo é fundamental. Não podemos abandonar de forma alguma. Nós não podemos deixar que certas ideias internacionalistas acabem que esse patriotismo. Porque ele não acabou na França, não acabou na Itália, não acabou na Alemanha, nos Estados Unidos. Pelo contrário, quem sai daqui e vai para Europa que sente como é duro ser brasileiro. Você vê a situação que o brasileiro é tratado lá fora, é isso.

Diário da Franca - Na sua opinião como deve ser preservada, na educação em geral e até na sociedade, a memória dessa data?
José Chiachiri Filho - Primeira coisa nas escolas. Estudando a Independência, analisando. E não fazendo a caricatura daqueles que fizeram a Independência. Muitas vezes não dão o valor que mereciam. Toda visão destorcida da história leva à sua incompreensão. A avaliação deve ser feita debaixo dos critérios.

Diário da Franca - Em relação a outras datas comemorativas que lembre a história do país e até do município de Franca, o senhor acredita que aquela empolgação, aquele respeito, também esteja acabando junto com as comemorações do Sete de Setembro?
José Chiachiri Filho - É isso mesmo. É uma falta de consciência cívica. Há uma falta generalizada. Cumpre as escolas revigorar e resgatar isso.

Diário da Franca - Como?
José Chiachiri Filho - Estudando, pesquisando, fazendo com que os alunos entendam esse movimento, e levando isso para a comunidade. A Pátria Amada está deixando a desejar pelo mau exemplo dos governantes. Tenho direito de voto e voto mal. Nós somos brasileiros e precisamos nos orgulhar. É um país que se miscigena, que ferve, de todas as raças, credos, de todos os pensamentos do mundo. Algo assim é especial. Somos acolhedores. Nós estamos efervescendo. O branco, preto, japonês, italianos, todos se misturam. O Brasil está em formação, o país tem 500 anos, é menos que muitas casas lá da Europa.

FRASE: "A culpa (sobre a falta de respeito às datas comemorativas) é da sociedade, que deixa globalizar cada vez mais, mas esquecendo de suas próprias raízes. De seu passado, de seu ponto de referência"

FRASE: "O feriado não está servindo para algo nenhum. A pessoa quer o feriado para quê? Para descansar. E é até justo, mas esse feriado não é para descansar, e sim para fazer uma homenagem à Pátria"

FRASE: "A Câmara Municipal de Vereadores, o que vai fazer na segunda? Nada, estará fechada. No dia do aniversário da cidade, o que a Câmara faz? Fecha!"

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