Economia deve registrar maior crescimento em 24 anos
Segundo o ministro Guido Mantega, já é possível "assegurar expansão de pelo menos 7%
O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) tende a desacelerar no segundo semestre, na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas, com o crescimento registrado na primeira metade do ano (8,9%), já é possível "assegurar expansão de pelo menos 7%, que poderá ser até maior" em 2010.
"Com essa variação, teríamos o maior crescimento do PIB em 24 anos", afirmou o titular da pasta nesta sexta-feira ao comentar o desempenho da economia brasileira. A projeção está em linha com a do mercado, mensurada pelo boletim Focus, que estima alta de 7,09%, de acordo com a pesquisa divulgada nesta semana.
Com a expansão no primeiro semestre, frisou, o Brasil está entre as economias que mais crescem no mundo, atrás apenas da China. Em seguida, viria a Índia.
Para Mantega, o segundo semestre deve ter um aumento menor, entre 5% e 5,5%, expansão que não gera inflação, afirmou. "No ano, será um resultado excelente, com crescimento maior e inflação menor."
O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país em um certo período --é formado pela indústria, agropecuária e serviços. O indicador também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.
Depois de forte expansão no primeiro trimestre, a economia brasileira tirou o pé do acelerador e cresceu 1,2% no segundo trimestre, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, de acordo com dados relativos ao PIB.
No primeiro trimestre, o PIB havia apresentado incremento de 2,7% em relação ao quarto trimestre de 2009, impulsionado principalmente pelo desempenho da indústria e investimentos. Em relação a igual período em 2009, a economia avançou 8,8%.
"A economia deu uma desacelarada em relação ao primeiro trimestre, cujo crescimento estava muito forte, porém ainda mantém um patamar vigoroso de atividade", afirmou Mantega. Ele citou como destaques do período os setores agrícola, de manufaturados e a construção civil e ressaltou também o crescimento de 26,5% na taxa de investimento.
Ele afirmou que a economia pode voltar a registrar aquecimento, especialmente da demanda, no último trimestre de 2010, em função dos recursos que costumam vir ao mercado no final do ano, como o 13º salário. "Esperamos reforço de mais de R$ 100 bilhões nos últimos três meses. mas mesmo assim com crescimento menor do que os anteriores."
JUROS
Mantega citou ainda a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa básica de juros da economia em 10,75% ao ano, na última quarta-feira. De acordo com ele, o Banco Central tem feito uma gestão adequada dos juros. "E foi adequado que ela não tivesse elevado nesse último mês pq a inflação está baixa, até abaixo das previsões", disse.
Para Mantega, a inflação se mostrou baixa nos últimos meses, e deve fechar o ano em torno de 5%. Nos 12 meses terminados em julho, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumula alta de 4,6%, quase no centro da meta (4,5%) determinada pelo governo federal. No ano, o índice registra elevação de 3,1%.
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