Fornecedor de alimentos
A possibilidade de o Brasil se tornar o principal fornecedor de alimentos do mundo nas próximas décadas depende de fatores que vão além da disponibilidade de terras e condições climáticas favoráveis ao cultivo. É necessário contínuo crescimento da demanda em países como a China, estabilidade econômica internacional e que as relações comerciais sejam ampliadas. Além disso, há questões internas determinantes nesse processo: a expansão sustentável da produção, a solução de gargalos logísticos e a adoção de uma política agrícola alinhada às metas de aumento nas exportações estabelecidas pelo governo federal. Ou seja, há muito trabalho pela frente, e o Brasil passa por um momento crucial nesse percurso.
As linhas gerais dos planos brasileiros estão traçadas. Em dez anos, o país deve elevar as exportações de etanol (182%), soja (33%), farelo de soja (10%), milho (65%) e de açúcar (45%), entre outros produtos. As projeções são do Ministério da Agricultura e revelam uma leitura de que o planeta vai precisar cada vez mais não só de alimentos, mas também de energia renovável. Além de melhorarem sua dieta alimentar, milhões de pessoas passam a circular de automóveis a cada mês. Os custos e a produtividade das lavouras brasileiras mostram-se competitivos para o cultivo de grãos e especialmente para o de cana-de-açúcar.
O setor produtivo, por sua vez, vem assumindo essa missão. Busca mais tecnologia, melhora seu desempenho da porteira para dentro, alcança novos recordes sempre que o clima permite. Mas, por outro lado, vem lançando um alerta que merece atenção de todos os setores. Com a estrutura logística atual, será difícil atender às expectativas mundiais, sustentam especialistas ligados ao agronegócio. Os portos enfrentam filas de caminhões e navios, o transporte concentrado nas rodovias é menos competitivo que o ferroviário, não há garantia de renda para os produtores – que fazem altos investimentos todos os anos e lidam com riscos que podem levá-los à falência em duas ou três quebras de safra.
As medidas que o país precisa adotar para ganhar potência na produção de alimentos e energia vão de investimentos em infraestrutura à ampliação do sistema de seguro agrícola. Atualmente, os contratos garantem apenas o pagamento do dinheiro emprestado pelos produtores perante as instituições financeiras. Não há seguro de renda e as próprias seguradoras relutam em ampliar seus negócios no setor.
Os investimentos em transportes previstos no PAC 2 – R$ 104 bilhões em cinco anos – são a esperança de alívio em relação aos problemas logísticos. A implantação do Fundo de Catástrofe, que deve amparar as seguradoras com uma conta inicial de R$ 2 bilhões, representa um passo importante na evolução do seguro rural. Mas tratam-se de projetos em andamento, que dependem essencialmente da postura dos governantes.
Os candidatos que forem escolhidos para governar os estados agrícolas e o país vão definir, com a postura que adotarão nos próximos quatro anos, o ritmo da produção e das exportações do agronegócio. Para que o país se torne realmente celeiro de grãos e possa fornecer combustível para o mundo, eles terão de se mostrar sensíveis aos problemas do setor. Precisarão assumir que o agronegócio vai bem além da atividade rural. Que o setor é estratégico para o desenvolvimento social e econômico do país e do mundo.
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