Tempos difíceis

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O momento é muito complicado na economia. O Brasil vive um momento extremamente crítico em relação ao equilíbrio financeiro das contas públicas consolidadas dos municípios, estados e União. A recessão reduziu o PIB e fez cair a arrecadação tributária, não por redução do porcentual de tributos sobre as rendas dos contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, mas por diminuição do produto nacional e do elevado desemprego. Nesse tipo de situação macroeconômica, os governos têm três saídas para ajustar suas contas: reduzir gastos, fazer mais dívida ou aumentar impostos. Como o setor público brasileiro tem demonstrado ser incapaz de diminuir seu tamanho, reduzir gastos e parar de crescer mesmo na crise, o resultado foi expansão do déficit fiscal, aumento de impostos e elevação da dívida pública.

A experiência atual está mostrando que a tendência do governo como um todo é continuar gastando, elevando déficits, aumentando dívida e sempre tentando mecanismos para tirar mais dinheiro da população com aumento de tributos. Considerando que os déficits dos municípios, dos estados e da União continuam crescendo, que a população não aceita pagar mais tributos e que a dívida pública bruta está muito alta, o risco é o país voltar a uma prática do passado, totalmente condenável e causadora de inflação, que é fabricar dinheiro e expandir o estoque de moeda. Essa ameaça é estimulada pela baixa inflação atual, principalmente porque a emissão de moeda demora um pouco para jogar a inflação para o alto.

A expansão monetária é assunto que sumiu do debate público e não atrai atenção dos políticos desde 1994, quando o Plano Real fez cessar a prática de pagar déficits do governo com fabricação de dinheiro. A falta de preocupação com o tema e o fato de a inflação de 2017 ficar abaixo da meta de 4,5% podem levar as autoridades a tentar expandir os meios de pagamento via emissão de dinheiro para cobrir os altos rombos das contas públicas. A expansão monetária é medida perigosa, sobretudo porque pode ser efetivada em surdina e com certa facilidade, a depender apenas da concordância do Banco Central, já que não dói no bolso da população de forma direta e imediata, não impõe sacrifícios ao governo e não causa aumento da dívida. No longo prazo, o risco é a inflação explodir e causar mais sofrimento e pobreza.

Se o governo lançar mão desse tipo de recurso, os resultados trágicos somente são percebidos no futuro, quando a inflação voltar como consequência da expansão monetária sem respaldo no aumento do produto nacional. A medida de fabricar dinheiro e aumentar os meios de pagamentos (moeda manual e moeda escritural) a taxas acima do porcentual de crescimento do PIB é receita certa para provocar a elevação de preços e o retorno da inflação. O controle da moeda é assunto que deve voltar aos debates no mínimo para reforçar a ideia de que a inflação é um imposto sem lei e cruel meio de piorar a vida dos pobres e dos que vivem da renda do trabalho.