Marco Garcia vê “trapalhadas” na prefeitura

Presidente da Câmara critica a administração e diz que não foi chamado para conversar

139

 

 

 

O entrevistado deste domingo é o vereador Marco Garcia (PPS), presidente da Câmara Municipal de Franca. Ele fala sobre vários assuntos, principalmente política, e diz que em nenhum momento ele ou o PPS foram “convidados a participar da prefeitura”.
O vereador também fala sobre o projeto que foi aprovado na Câmara concedendo repasse de R$ 3 milhões para a Santa Casa de Franca para o custeio dos atendimentos nos meses de julho, agosto e setembro.

Na conversa Marco falou ainda seus maiores desafios nos quatro mandatos como presidente da Câmara, do número de vereadores em Franca e também da situação atual do país e da prefeitura de Gilson de Souza (DEM).

“A prefeitura atual está meio atrapalhada, o Gilson sempre trabalhou no Legislativo, agora no Executivo tem erros constantes”, avaliou o vereador do PPS.

 

Diário – Quais foram os maiores desafios nesses quatro mandatos como presidente da Câmara Municipal de Franca?

Marco Garcia – Cada ano se tem um desafio. No ano passado colocamos a TV Câmara no ar, investimos na acessibilidade do prédio para pessoas portadoras de necessidades especiais e hoje o prédio está de acordo com a Lei de Acessibilidade. Também investimos no plano de carreira para os servidores públicos desta casa, o que permitiu que os funcionários permanecessem aqui, pois antes assim que recebiam melhores propostas pediam demissão.

Diário – Hoje, Franca conta com 15 vereadores, mas algumas cidades menores, como  Rio Claro, têm 17. Você acredita que para a próxima eleição esse número será elevado?

Marco Garcia – Depende somente dos vereadores votarem, é uma matéria, que como se diz o ditado “é um prato indigesto” devido ao momento atual do país de crise econômica, afinal se elevariam os custos da Câmara Municipal. E minha opinião vai nessa direção também, pois não é somente o número de vereadores que irá aumentar, mas o número de assessores e analistas, o que traria um grande impacto econômico. Portanto, não acho o momento adequado.

Diário – Como você avalia a prefeitura de Gilson de Souza neste primeiro ano?

Marco Garcia – A administração do Gilson de Souza tem cometido algumas trapalhadas, não sei se pelo fato de ele ter sido sempre do Legislativo, duas vezes vereador e três vezes deputado, e agora estar gerindo uma cidade, ou seja, sendo do Executivo. O problema é que os erros têm sido constantes, até mesmo a base aliada, como o vereador Correia Neves, tem criticado duramente a Procuradoria, o departamento jurídico da prefeitura. Por exemplo, o projeto aprovado da verba da Santa Casa deveria ter vindo para Câmara há três meses, e veio somente em regime de urgência. Sinto o governo ainda meio perdido.

Diário – Por que o PPS é oposição ao Gilson de Souza?

Marco Garcia – Em nenhum momento eu ou o PPS fomos convidados a participar da Prefeitura. Eu tenho experiência de 20 anos de vida pública, se o prefeito não me chamou, não chamou o PPS para conversar, certamente, porque ele teria fechado com outros vereadores e não teria necessidade de fazer algo com a gente. Eu não faço oposição por fazer, eu critico aquilo que tem necessidade de criticar e elogio quando se tem que elogiar, mas está difícil encontrar um ponto positivo nesta administração.

Diário – Franca tem um dos piores PIBs (Produto Interno Bruto) entre as grandes cidades do estado de São Paulo. Como o senhor vê isso?

Marco Garcia – Somos uma cidade operária quase que mono-indústria. Tivemos nos últimos anos até uma diversificação da atividade industrial, por exemplo, com as fábricas de lingerie. No entanto, nossa atividade industrial ainda gira muito entorno da produção do calçado masculino e o que temos de industrias diferentes são aquelas que servem à produção calçadista, como: solados, palmilhas, cadarços etc. No geral a cadeia produtiva se concentra no calçado, que tem baixo valor agregado. Essa falta de diversificação industrial prejudica o nosso PIB. Uma solução para melhorar nosso PIB seria melhorar a fiscalização sobre o Imposto Sobre Serviço (ISS), que é dinheiro municipal e não estadual, assim poderíamos melhorar a arrecadação e o dinheiro poderia ser revertido para a cidade.