Kremlin manda Washington cortar pessoal

Corpo diplomático na Rússia perderá 755 funcionários como retaliação a novas sanções norte-americanas

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Russian President Vladimir Putin delivers a speech during an opening ceremony of the MAKS 2017 air show in Zhukovsky, outside Moscow, Russia, July 18, 2017. REUTERS/Sergei Karpukhin ORG XMIT: ZHK04
Russian President Vladimir Putin delivers a speech during an opening ceremony of the MAKS 2017 air show in Zhukovsky, outside Moscow, Russia, July 18, 2017. REUTERS/Sergei Karpukhin ORG XMIT: ZHK04

 

 

O Kremlin ordenou que os Estados Unidos cortem cerca de 60 por cento de seu pessoal diplomático na Rússia, mas muitos dos funcionários a serem dispensados serão cidadãos russos, amenizando o impacto de uma medida adotada por Moscou em retaliação por novas sanções norte-americanas.
O ultimato decretado pelo presidente russo, Vladimir Putin, representou uma exibição de força frente aos EUA para o eleitorado russo, mas também foi cuidadosamente calculado para evitar afetar diretamente os investimentos dos EUA que Moscou precisa e para não queimar as pontes com o presidente dos EUA, Donald Trump.
Funcionários da embaixada dos EUA em Moscou foram convocados nesta segunda-feira para uma reunião na qual o embaixador John F. Tefft comunicou os trabalhadores sobre a decisão russa — o protesto diplomático mais forte entre os dois países desde a Guerra Fria.
“A atmosfera parecia de um funeral”, disse uma pessoa presente ao encontro, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a conversar com a imprensa.
Após o anúncio de Putin no domingo de que os EUA teriam de cortar 755 funcionários de sua missão diplomática até setembro, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse nesta segunda que os EUA podem incluir trabalhadores locais russos entre os cortes.
O corte do corpo diplomático americano para 455 pessoas é uma medida de reciprocidade da Rússia, pois este é o número de diplomatas russos que permaneceram nos EUA depois de Washington ter determinado a expulsão de 35 deles, em dezembro do ano passado, pouco antes de Trump tomar posse.
O esclarecimento do Kremlin significa que não vai haver necessariamente uma expulsão em massa de diplomatas dos EUA como parte da retaliação de Moscou às novas sanções que Washington deve impor à Rússia.
Cidadãos russos formam a grande maioria dos cerca de 1.200 funcionários dos EUA na embaixada e em consulados na Rússia. Reduzir seu número afetará operações nestas instalações, mas essa medida não têm o mesmo peso diplomático de expulsar diplomatas norte-americanos do país.
Falando sobre que tipo de funcionários diplomáticos terão que partir, o porta-voz do Kremlin disse a repórteres em uma teleconferência: “Isso é escolha dos Estados Unidos”.
“Diplomatas e pessoal técnico. Quer dizer, não estamos falando puramente sobre diplomatas –obviamente não existe este número de diplomatas–, mas de pessoas sem status diplomático, e pessoas contratadas localmente, e cidadãos russos que trabalham lá”, disse.
Até 2013, a missão dos EUA na Rússia, incluindo a embaixada de Moscou e consulados em São Petersburgo, Ecaterimburgo e Vladivostok, empregava 1.279 funcionários, de acordo com um relatório do Departamento de Estado dos EUA daquele ano.
A cifra incluía 934 “empregados localmente” e 301 “diretamente contratados” pelos EUA.
Obrigar Washington a reduzir sua presença diplomática reforça a reputação de Putin em casa como a de um defensor resoluto dos interesses da Rússia e melhora sua imagem antes da eleição presidencial do ano que vem, na qual se acredita que irá buscar mais um mandato.
Mas as consequências da retaliação russa não são graves a ponto de isolarem permanentemente o presidente norte-americano, Donald Trump, de acordo com Alexander Baunov, pesquisador-sênior do centro de estudos Moscow Carnegie Center.
As medidas russas foram anunciadas depois que a Câmara dos Deputados e o Senado dos EUA aprovaram por ampla maioria as novas sanções contra a Rússia.
Na sexta-feira, a Casa Branca disse que Trump assinará o projeto de lei das sanções.