Copia e cola

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A tecnologia é muito boa e algo que mudou a vida da população mundial. Existem verdadeiras maravilhas criadas pelo conhecimento humano que melhoraram a qualidade de vida e proporcionaram novos avanços nas relações da sociedade. Contudo, o oposto também acontece e o desafio é combater a possibilidade de ocorrências que invertem o propósito das criações.

Desse modo, o equilíbrio para garantir a extração dos potenciais benefícios do conhecimento também exige que a mesma inteligência existente na base das revoluções tecnológicas seja capaz de barrar o mau uso das ferramentas à disposição de todos.

Em tempos de revolução da internet, docentes e gestores em educação deparam com os desafios da prática de muitos estudantes que usam o Ctrl C Ctrl V, ou seja -copia e cola, para realizar trabalhos escolares. Isso porque muitos alunos recorrem à internet para, literalmente, em seus trabalhos não terem trabalho.

O problema existe em todos os níveis de ensino, do fundamental ao superior. O mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Orson Camargo, em artigo publicado no site Brasil Escola, explica que a origem do problema da metodologia de copiar e colar não está em uma “falha de caráter dos alunos”, na sua “preguiça de ler e resumir” ou na “facilidade com que se pode copiar e colar textos inteiros ou excertos e imagens da Internet”. Ele calcula que o problema está “na incapacidade do professor de propor, apoiar, acompanhar e participar com o aluno de pesquisas onde a cópia pura e simples não atenda aos requisitos previamente definidos na tarefa”.

Partindo dessa ressalva, Orson Camargo conclui que, na cópia como forma de plágio, o aluno é a pessoa mais prejudicada, pois perde não só o direito de aprender o conteúdo do tema, mas também o de captar a forma utilizada para produzir tal conhecimento. E ele alerta: “Os alunos estão utilizando desse expediente fraudulento cada vez mais cedo e a punição é branda, chegando ao máximo a ter seu trabalho escolar anulado e não havendo qualquer outro tipo de pena mais severa para intimidar essa prática.”

Pela importância da pesquisa na formação dos estudantes, a fraude pela cópia em trabalhos escolares não é só um problema de estudantes, docentes e gestores de educação. E é também uma questão moral. O mais grave é que autoridades responsáveis pelas políticas públicas de ensino aparentam alheamento.

O que está em discussão é a formação de gerações futuras de brasileiros que correm o risco de se profissionalizar sem a devida eficiência nas etapas de aprendizagem. Nesse contexto, ou as autoridades públicas se debruçam sobre essa questão para encontrar soluções ou o Ctrl C Ctrl V será mais um abalo (entre tantos já existentes) com poder explosivo sobre a sociedade brasileira.