CÂMARA FEDERAL DESMORALIZADA

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                                                   Paulo Barretto

 

 

 

                                    Como estava previsto,  a Câmara Federal que abriga os deputados federais, eleitos em todos os Estados e Distrito Federal, perdeu completamente o restinho de dignidade que ainda poderia ter,  ao negar autorização ao pedido do Supremo Tribunal Federal para processar Michel Temer por corrupção passiva,   em sessão   realizada no dia 2 de agosto de 2017.

                                     As provas incluídas no

processo foram robustas, claras, cristalinas. Um vídeo, gravado pela Polícia Federal, mostrou o flagrante do deputado afastado, Rodrigo  Rochas Loures, no ato em que recebeu uma mala com 500 mil reais de propina da  empresa JBS, para entregar ao presidente, conforme o previamente combinado entre o empresário Joeslei Batista e Temer, que expressamente autorizou a entrega ao deputado, seu “homem de confiança”,  conforme ficou comprovado pela conversa telefônica entre eles, também gravada em vídeo, dias antes.

                                    É um absurdo que a Justiça dependa de autorização do Congresso para processar o presidente, mesmo que tenha praticado crimes comuns.

                                    Veja o tamanho da aberração. Imagine você, que um presidente da República, em exercício do mandato, cometa crimes de sangue, assassine várias pessoas e pratique também outros crimes hediondos, não possa ser processado até o final de seu mandato, sem prévia autorização do Legislativo, que pode não ser concedida se a Câmara contar com o apoio de uma maioria de canalhas, como é o nosso caso.

                                      Esse hipótese pode ocorrer em países em que não há limites para reeleições consecutivas, como é comum acontecer em nações atrasadas, onde alguns mandatários são reeleitos, sucessivamente, mesmos em regimes ditos democráticos, e permanecem no cargo por quarenta ou cinquenta anos, sem interrupção. É a chamada “ditadura da democracia”.

                                    O Brasil também pode ficar sujeito a essa situação incômoda e vergonhosa, como seria o caso de ser aprovado pelo Congresso uma Emenda Constitucional que autorize reeleições sem limites para presidente.  Com uma Câmara corrupta. seu mandato seria vitalício e, mesmo que cometa crimes bárbaros, sua impunidade será para o resto da vida.

                                    Temer ganhou uma  batalha, graças a cambada de políticos venais de sua tropa de choque, mas, como a guerra ainda não acabou, pode se afirmar, com convicção, que foi apenas uma vitória de Pirro.

                                    Porque, em 2.018, nas Eleições Gerais, a população vai se lembrar dos membros da quadrilha que optaram pela corrupção institucionalizada. Seus nomes serão exaustivamente divulgados em todos os Municípios e Estados e ninguém, que tenha um mínimo de brio, votará nessa camarilha, nem para vereador. Ficaremos livres dessa corja espúria.

                                    Temer em 2.019, ao perder a blindagem, será processado, condenado e irá para a cadeia. Quem viver, verá!