Bom, mas sem excesso

No "Dia Nacional de Combate ao Colesterol" especialistas alertam que, em taxas normais, esse tipo de gordura atua em benefício da saúde

148

 

 colesterol

 

 

 

Com foco no “Dia Nacional de Combate ao Colesterol”, comemorado nesta terça-feira, 8 de agosto, segundo o calendário do Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) orienta que o colesterol, mesmo sendo um tipo de gordura, é essencial para o bom funcionamento do organismo e que pessoas saudáveis, sem fatores de risco como obesidade e histórico familiar, não precisam fazer medição periodicamente.

O colesterol tem várias funções no organismo, sendo essencial para a produção de vitamina D e de alguns hormônios como a testosterona, ou seja, é essencial para a saúde.

“Não é possível viver sem o colesterol, embora sua elevação guarde relação com problemas cardiovasculares. Acreditava-se que a ingestão de colesterol nos alimentos tinha relação com estes problemas, mas pesquisas mais recentes já apontam que o problema não está na alimentação, e sim no sedentarismo, na obesidade e na história familiar”, explica Rodrigo Lima, médico de família e diretor de comunicação da SBMFC.

Nem todas as pessoas necessitam, portanto, dosar o colesterol regularmente. Quando é necessário, médicos podem solicitar a dosagem de lipoproteínas, sendo as mais importantes a HDL (lipoproteína de alta densidade) e a LDL (lipoproteína de baixa densidade).

As lipoproteínas têm a função de transportar o colesterol pelo sangue. A LDL está associada ao acúmulo de colesterol nos vasos sanguíneos, e por isso ela é conhecida como “colesterol ruim”, enquanto a HDL, responsável por “limpar” o colesterol dos vasos, é conhecida como o “colesterol bom”.

“Vale ressaltar também que uma pessoa com o diagnóstico de colesterol alto não pode ser classificada como doente, pois o aumento do colesterol pode ser apenas temporário, e corrigido com atividade física e controle do peso. Além disso, nem todas as pessoas com colesterol alto devem usar medicamentos para baixá-lo, pois os medicamentos trazem benefício muito discreto em pessoas que nunca tiveram um infarto ou AVC (derrame), e podem trazer malefícios”, explica Lima.

Perigo

Nas pessoas que apresentam fatores de risco cardiovascular, como história familiar de doenças do coração, obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes, tabagismo, entre outros, pode ser importante acompanhar a dosagem da LDL e HDL, mas sempre tendo em vista que o controle destes fatores é o mais importante.

“Já pessoas que não têm esses problemas, principalmente as que praticam atividades físicas regulares, estão dentro do peso ideal e não possuem histórico familiar de problemas cardiovasculares não precisam realizar o exame periodicamente para mensurar as taxas”, completa o profissional.

Segundo ele, muitas pessoas que fazem isso descobrem pequenas alterações que não têm significado clínico mas geram preocupações desnecessárias. “A maioria das pessoas que infarta tem colesterol normal, mas é obesa, ou sedentária, ou tabagista. Controlar estes fatores de risco é muito mais importante do que ficar fazendo exames e tomando medicamentos”, conclui.