Hora de fazer o país andar

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Muita gente não gostou do resultado da votação na Câmara Federal nesta semana, sobre o processo de Michel Temer, mas de uma coisa. Era necessário desenrolar esta questão o quanto antes, independente do resultado que viesse a ilustrar o painel da Casa.

Isso porque, o pior que pode acontecer no momento é o país estender a indefinição sobre quem vai governá-lo. O estado permanente de suspense atrasa investimentos, prejudica a tomada de decisões e, consequentemente, a recuperação do nível de emprego. Por isso, foi importante que os deputados dessem uma resposta, manifestando-se a favor ou contra a continuidade de processo por crime de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer no Supremo Tribunal Federal (STF). Para a questão ser examinada, bastou que os parlamentares não se omitissem. Quanto ao impacto que a decisão terá para cada um, é outra história e cabe ao eleitor.

O Brasil tem dado mostras de solidez de sua democracia e de estabilidade institucional. Esses aspectos foram reafirmados particularmente a partir de um período politicamente traumático que culminou num processo de impeachment presidencial e numa sucessão tumultuada pela polarização política e por denúncias envolvendo o núcleo do poder. O presidente da República avançou em reformas estruturais importantes, como a trabalhista, mas vem esbarrando em níveis elevados de impopularidade. Além disso, ainda não conseguiu se livrar das dificuldades que herdou na área econômica.

Nesse cenário, que se agrava com o passar do tempo, os efeitos econômicos das incertezas atingem particularmente os mais necessitados — em especial os mais de 14 milhões de desempregados. O país não pode viver em estado permanente de suspense. Os parlamentares precisavam decidir logo sobre a denúncia contra o presidente da República, apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Independente do resultado, haveria consequências. Ainda assim, nada pode ser mais grave do que se faltasse uma resposta neste momento tão decisivo para o país sob o ponto de vista político e econômico.