Tradição renovada

Zé Verdura, proprietário do “Muringa Grill”, conta um pouco de seus 26 anos no ramo de gastronomia em Franca

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Quem perguntar por José Donizete do Prado Oliveira poderá não obter a resposta desejada, mas se falar “Zé Verdura” vai encontrar um comerciante dos mais tradicionais e populares de Franca.

Nascido em São José da Bela Vista, Zé Verdura tem 61 anos e há 26 anos trabalha no ramo de bar/restaurante. Casado com Rita, e pai de três filhas (Cássia, Caroline e Carine) ele conta que o segredo do sucesso do Muringa Grill (antes Muringa Gelada) é a união da família, mas diz que para superar um momento de crise há cerca de seis anos, precisou reinventar seu negócio para manter-se no mercado. “O Muringa quando começou era uma casa mais voltada para shows e, hoje foca mais no serviço de restaurante, na gastronomia. Essa mudança foi fundamental para nossa sustentação no mercado, com o apoio de nossos clientes de Franca e região”.

Esportista, palmeirense, e atleta na juventude ganhando vários títulos com a camisa do São José, “Zezinho”, como era chamado em sua cidade natal, também tentou ingressar na política, colocando seu nome em disputa para vereador duas oportunidades em Franca e, foi pré-candidato a prefeito de São José da Bela Vista, na última eleição.

Trabalhando por quase três décadas à noite, ele diz que já vivenciou muitas histórias curiosas e relata que entre tantas, um casal se conheceu, noivou, se casou e se separou em seu restaurante.

 

DIÁRIO DA FRANCA – Porque Zé Verdura?

ZÉ VERDURA – Esse apelido veio de São José da Bela Vista, onde nasci e fui criado. Nos anos de 70 eu era verdureiro naquela cidade e lá eles me chamavam de Zezinho Verdureiro.  Meu pai era produtor de verdura e eu vendia os produtos na cidade. Quando eu vim para Franca passaram a falar Zé Verdura. Gosto desse apelido porque sou reconhecido assim e me trouxe várias coisas boas.

 

DIÁRIO – Quanto tempo você está nesse ramo de gastronomia?

ZÉ VERDURA – Tudo começou em 1991 quando eu e a Rita, minha esposa, abrimos o bar Cuca Fresca em Franca. Portanto já são 26 anos trabalhando nesse seguimento.

 

DIÁRIO – Qual é o segredo para manter-se no mercado nessas quase 3 décadas?

ZÉ VERDURA – Não é fácil não. Principalmente com a instabilidade econômica que ocorre sempre no Brasil e para um negócio seguir em frente é preciso temos sempre se adequar a cada situação. Mas graças a Deus estamos tocando nosso negócio, com o apoio também de alguns amigos. Várias empresas abriram as portas e também fecharam nesse período, mas a gente segue se mantendo. O Muringa, quando começou, era uma casa mais voltada para shows e hoje foca mais no serviço de restaurante, na gastronomia. Essa mudança foi fundamental para nossa sustentação no mercado, com o apoio de nossos clientes de Franca e região.

 

DIÁRIO – Qual foi o momento em que você viu que realmente precisava reinventar?

ZÉ VERDURA – Há uns seis anos atrás o Muringa vinha passando por um momento de instabilidade, principalmente pela Lei implantada com punição mais rígida às pessoas por ingerir bebidas alcoólicas e sair dirigindo. A Lei é muito boa, mas refletiu de alguma forma nos bares e, com nós não foi diferente naquele momento. Na ocasião uma empresa de calçado próxima ao Muringa pediu para nós fornecermos almoço a seus funcionários. Aceitamos o desafio e aquilo foi o começo de nossa transformação. Agradeço muito seus diretores por acreditarem em nosso serviço e, a fábrica de calçado é a Rafarillo, dos diretores Valtinho e Clóvis. Minha família se uniu a mim naquele momento de incertezas demos a volta por cima.

 

DIÁRIO – O perfil de seus clientes é daqueles que almoçam todos os dias fora de casa?

ZÉ VERDURA – Tudo é preciso reinventar e apresentar um preço mais acessível ao cliente. Certa vez ouvi uma palestra do dono do Habib’s e ele já falava que o comerciante precisa adequar seu produto a um preço popular. Somos um restaurante que fornece carne assada e, por sinal, as mesmas carnes que as churrascarias servem. Tudo com um preço que cabe no bolso do cliente e por isso contamos com um público cativo.

 

DIÁRIO – Você é muito popular na cidade e por isso tentou ingressar na política?

ZÉ VERDURA – Eu fiz parte de movimentos escolar em São José da Bela Vista e sempre gostei da política. Mas aquela política do bem, sempre pensando no próximo. Mas com o tempo vemos que as coisas são complicadas. Coloquei meu nome por duas vezes à disposição do eleitor em Franca para vereador, mas não consegui ser eleito. Já na última eleição fui pré-candidato a prefeito em São José (da Bela Vista), mas depois fechamos com outro grupo. Meu pensamento é ajudar as pessoas e se for pra ser um dia será.

 

DIÁRIO – Você tem alguma história que lhe marcou durante esse período trabalhando à noite?

ZÉ VERDURA – A noite realmente proporciona coisas inusitadas. Temos várias para contar, mas uma delas é que duas pessoas se conheceram no Muringa, noivaram e casaram-se no Muringa, com festa e tudo. Até aí tudo bem, mas o curioso que depois de um tempo, eles me procuraram e agendaram outra festa, mas para largar, desmanchar o casamento, dizendo: “tudo começou aqui e vai terminar aqui”.