Movimentações eleitorais

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Em mais um capítulo da novela política brasileira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo relativo ao tríplex do Guarujá. Na mesma sentença, Moro o afasta da vida política por 19 anos. Embora caiba recurso, Lula passa para a história como o primeiro ex-presidente da República a ser condenado por crime comum. A condenação coloca alguns empecilhos nos seus planos de se eleger presidente pela terceira vez, principalmente se tiver que, antes, acertar suas contas com a Justiça.

Lula está em campanha há um bom tempo e mesmo com todo esse prontuário, entretanto, o ex-presidente aparece em todas as simulações realizadas recentemente com cerca de 30% das intenções de voto, embora seja, de longe, o pré-candidato mais rejeitado, por 45% dos eleitores, segundo as mesmas pesquisas. Dessa maneira, se ele estiver impedido de participar, a próxima eleição presidencial será uma incógnita. A primeira pergunta de quem observa a cena política atual é se Lula, uma vez impedido de ser candidato, terá condições de transferir seus votos, técnica que ele já colocou em prática em várias oportunidades.

O ambiente político, moralmente insalubre há um bom tempo, não tem atraído novos talentos nos últimos anos. Um candidato petista apoiado por Lula poderia herdar, quem sabe, parte dos 30% das intenções de votos que ele dispõe. Fala-se muito em um possível apoio a Ciro Gomes, mas a incontinência verbal e a instabilidade partidária do ex-governador cearense encontram resistências no PT.