Gastando sem ter dinheiro

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Algumas coisas todo mundo já está cansado de saber, mas vale sempre repetir de novo. O Brasil atravessa, como todo cidadão sabe, uma das maiores crises econômicas de sua história. Há três anos, aproximadamente, iniciou-se um processo que, entre outras mazelas, deixou um saldo de mais de 13 milhões de desempregados. As contas públicas, neste período, têm desempenho sofrível enquanto que a estimativa para este ano é o déficit primário ultrapassar a meta fiscal, o que coloca o País em uma situação crítica.

Mesmo diante desse cenário negativo, o presidente Michel Temer (PMDB) tem anunciado uma série de novos programas e a liberação de verbas que atingem bilhões de reais. De acordo com partidos de oposição, a intenção do governo seria garantir votos contra a denúncia por crime de corrupção passiva, de que é acusado. Levantamento obtido pelo jornal O Estado de São Paulo mostra que somente nos 13 primeiros dias de julho, foram empenhados quase R$ 2 bilhões em emendas. O jornal O Globo fez uma pesquisa mais abrangente, relacionando novos projetos, e chega a R$ 15 bilhões.

O ponto alto dessa gastança generalizada aconteceu durante a semana decisiva para a definição do futuro político de Temer na Comissão de Constituição e Justiça que, por sinal, foi substancialmente alterada nos dias que antecederam a votação das acusações da Procuradoria-Geral da República de corrupção passiva, por conta das denúncias gravadas pelo empresário Joesley Batista, do Grupo J&F. O pacote de bondades destinado aos parlamentares está dando certo. O presidente virou o jogo e conseguiu a substituição do parecer da CCJ que recomendava a continuidade das investigações contra ele por um novo relatório que pede o arquivamento da denúncia.