Brincadeira estúpida

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Parece inacreditável que pessoas se sintam bem ao ver o sofrimento dos outros, mas isso parece ser algo cada vez mais comum nos dias atuais. Vale destacar que há vários meses o desafio Baleia Azul, ou Blue Whale, seu nome em inglês, chegou ao Brasil e, como ocorreu em outros países, causou vítimas entre jovens seduzidos pelo jogo. Polícias de vários Estados iniciaram investigações a partir de denúncias e de casos suspeitos de suicídio e agora começam a localizar mentores da brincadeira perigosa.

Nesta semana, policiais conseguiram localizar vários “curadores” da brincadeira, entre eles um jovem de 23 anos, do Rio de Janeiro, que confessou ter feito 30 vítimas no desafio da Baleia Azul, porém os policiais têm indícios que esse número pode chegar a 40. “Curador” é nome que se dá à pessoa que envia ao participante do jogo os 50 desafios que ele tem que cumprir e cobra sua execução. A delegada encarregada do caso afirma que a equipe conseguiu salvar vidas, pois localizaram crianças que estavam prestes a se matar. Identificaram também jovens participantes da brincadeira que se encontravam bastante mutilados. Durante a investigação os policiais descobriram que existem pessoas de outros países aliciando brasileiros para participarem do jogo. Um dos aliciadores identificados mora em Angola. Os responsáveis pela investigação identificaram curadores em 20 municípios, distribuídos em nove Estados.

No interior paulista policiais civis cumpriram mandado de busca e apreensão em municípios como Ibiúna, onde na casa de um jovem de 25 anos foram apreendidos um computador, celulares e pen drives. Os policiais localizaram no computador mensagens relacionadas às missões designadas aos participantes do desafio. O suspeito negou qualquer participação no jogo e alegou que as missões gravadas em seu computador foram obtidas em um site, por curiosidade, embora o IP de seu computador tenha sido identificado pela polícia do Rio de Janeiro, que deu início às recentes prisões.

O desafio da Baleia Azul é uma brincadeira macabra que surgiu nas redes sociais da Rússia e se espalhou por vários países da Europa nos últimos anos, antes de chegar ao Brasil. Quem analisou as 50 etapas do desafio diz que elas começam de forma branda, como assistir a filmes de terror durante a madrugada, subir em telhados e aos poucos vão se tornando violentas. Nas etapas finais começam os incentivos à automutilação e podem chegar ao suicídio.

Participando e cumprindo as tarefas, os adolescentes sentem-se mais seguros e vitoriosos a cada etapa, lembram os psicólogos. Há consenso entre os profissionais de psicologia que as famílias precisam dar mais atenção aos adolescentes e ficarem sempre alertas para perceber se enfrentam problemas. Os pais também são aconselhados a ter voz ativa e proibir que os filhos passem noites em claro ou fiquem o dia todo em frente a um computador ou jogando videogame. É aconselhável também monitorar os grupos de bate-papo que os pré-adolescentes têm acesso, chamando sempre os jovens para o diálogo e para na troca de ideias. A internet abre um mundo de possibilidades para quem a acessa. Oferece muita informação, cultura e diversão, mas também pode ser cruel com seus perigos e armadilhas, como o mundo real.