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O avanço do crime

 

Assim como o restante da população brasileira, o francano assiste pelo noticiário à guerra urbana nas ruas do Rio de Janeiro. O aumento da violência pressiona outros serviços públicos, em especial o de saúde, e tem um impacto econômico que passa despercebido para a sociedade. Os hospitais estaduais do Rio atenderam no primeiro semestre deste ano 1,2 mil casos de ferimentos a bala, mais do que o registrado em todo o ano passado. Na maioria dos casos, os mortos e feridos são jovens que teriam uma longa vida produtiva pela frente.

O Rio de Janeiro não está sozinho na falência de seu aparato de segurança pública. Vários estados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, como Sergipe, Pernambuco, Ceará, Pará e Goiás, têm índices altíssimos de homicídios. No total, 18 estados têm taxas de homicídios acima de 30 por 100 mil habitantes. Nenhum tem taxa abaixo de 10. A média global é de 6,2 mortes por 100 mil habitantes, enquanto no Brasil a média foi de 28,9 em 2015, 10% maior do que em 2005, segundo o Atlas da Violência.

A falência dos estados, que não conseguem controlar efetivamente todos os territórios nas cidades, é um dos componentes dessa tragédia. Também conta a lentidão do Judiciário, a corrupção de agentes públicos, a falta de controle dos presídios, as fronteiras abertas à entrada de armas e drogas e uma cultura da violência que prospera no Brasil e tem-se, assim, um ambiente propício à criminalidade sem punição.

O caso do Rio de Janeiro serve de alerta para que os governos não continuem perdendo espaço para o controle exercido pelo crime organizado. Quanto mais demorar a reação ao crescimento da violência, maior será o custo para a sociedade.