Vergonha para o Brasil

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Mais uma vez o Brasil faz feio e passa vergonha no exterior. Na semana passada o governo da Noruega anunciou que cortará pela metade a sua contribuição ao Fundo Amazônia por causa da ampliação no desmatamento da grande floresta brasileira. A notícia ganhou dimensão de constrangimento internacional. Teve destaque justamente no dia em que o presidente do Brasil, Michel Temer, visitou o país nórdico, após passagem pela Rússia.

Em termos diplomáticos, a decisão do governo norueguês significou um puxão de orelha ao governo brasileiro. A coincidência da visita de Temer só apimentou o clima protocolar dos encontros e cumprimentos com autoridades norueguesas. E o governo brasileiro não pode negar que mereceu passar por um vexame desse calibre.

Eis os motivos: começa pelo fato de que o Fundo Amazônia é instrumento de captação de doações para financiar iniciativas de prevenção do desmatamento na vasta área do norte do Brasil também conhecida como “pulmão do mundo”.

Em contrapartida, o Ministério do Clima e do Meio Ambiente, utilizando um nível de apuração de desmatamento por quilômetro quadrado, registrou aumento de 29% nesse tipo de crime ambiental de agosto de 2015 a julho de 2016.

Nesse período, foram perdidos 7.989 quilômetros quadrados de mata. Essa devastação se aproximará do teto de referência estimado para este ano, que deve ficar em 8.325 quilômetros quadrados. Por conta disso, o Brasil vai perder pelo menos R$ 166,5 milhões da ajuda norueguesa.

No Brasil, a doação recebida pelo Fundo Amazônia é administrada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O dinheiro é destinado a projetos contra o desmatamento e ao desenvolvimento sustentável. Com essa disposição, o país nórdico já doou R$ 2,77 bilhões desde 2009 (97% do total recebido pelo Fundo Amazônia). Os outros dois doadores são a Alemanha (R$ 60 millhões desde 2009) e a Petrobras (13 milhões).

As doações comprovam a boa vontade da Noruega para com o Brasil. E a ampliação do desmatamento na Amazônia é uma retribuição às avessas. O que o país nórdico fez, ao reduzir pela metade a sua ajuda, é punir o governo brasileiro com a expectativa de que ele consiga reverter o avanço nos processos de devastação da floresta.