De educador a político

Roberto Engler fala de sua carreira vitoriosa na política, do futuro e da corrupção que apavora o país

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roberto

Em 1982, política era um assunto distante do professor Roberto Engler (PSDB). Convencido por amigos, ele acabou candidatando-se a vereador em Franca. “À época não sabia fazer campanha e nem o que fazia um vereador”, disse. Foi eleito, sendo o quinto mais votado. Professor há 58 anos, ele explica que neste mandato em busca, principalmente, propor mudanças no Estado por meio da educação.

Em entrevista, ele também relata a sua trajetória política e aborda ainda outros assuntos.

 

Diário da Franca – O senhor começou como vereador e rapidamente se destacou na política, mas já na primeira disputa pela prefeitura acabou derrotado. Como foi isso?

Roberto Engler – Perdi a eleição, mas saí vitorioso. Comecei com 2% de aprovação e o candidato preferido com 70%. No final o resultado ficou 36% a 34%. Perdi 10 quilos, gastei dois pares de sapato andando de casa em casa para fazer a campanha. Vi todas as misérias possíveis da minha cidade.

 

Diário – Esta derrota não pesou contra sua carreira política?

Engler – Não, pelo contrário, foi na disputa pelo Executivo que me enxerguei político. Foi maravilhoso, ali eu descobri o verdadeiro sentido da política. Como vereador eu não sabia.
Diário – Como foi sua chegada à Assembleia, como deputado estadual?

Engler – A entrada no Legislativo Estadual deu-se a partir de uma demanda da comunidade. As pessoas na rua começaram a me chamar de deputado. Disseram que com a quantidade de votos que eu tinha recebido para a prefeitura deveria me candidatar a deputado estadual. E há mais de 27 anos estou deputado estadual.

Diário – A política é sempre muito questionada, como o senhor lida com isso?
Engler – Eu sou um instrumento a serviço das pessoas. E vou citar uma frase do Papa Francisco: “a política é uma arte notável porque é através dela que conseguimos fazer o bem para o próximo”. É isso, enquanto estiver funcionando e trazendo notícias boas para as comunidades que represento, vou continuar atuando.
Diário – O senhor diz isso, mas há de concordar que a situação política do país hoje assusta…
Engler – Sobre a conjuntura política do país, digo que sou uma pessoa muito positiva. Acho que para sarar um furúnculo, é preciso que saia todo o pus. Tem que espremer para sair toda a porcaria. Hoje o que assistimos é a saída de todas as porcarias. Pode ter certeza que o país vai ser muito melhor do que é hoje. O que nós estamos vendo atualmente já acontecia, mas por trás das cortinas. As pessoas mudaram? Não, as cortinas que se abriram.

 

Diário – O senhor acha que as pessoas ficarão honestas?
Engler – As pessoas não passarão a ser honestas, mas terão medo de cometer crimes de corrupção. Quem pratica a corrupção está indo para Curitiba e isso vai fazer com que as pessoas se inibam antes de se corromperem. Mas é bom lembrar que o problema político atual tem raízes culturais e que a corrupção não está só na política, apesar de ser um “campo mais fértil”.

 

Diário – Sua base é a educação. Como começou isso?
Engler – Comeei a lecionar aos 16 anos de idade para os colegas de classe. Tinha facilidade com as disciplinas e me destacava na área de exatas. Sou doutor em matemática pela Universidade de São Paulo. Tornei-me professor da USP e da Unesp e realmente meu mandato tem propostas pautadas na área educacional.