Turbulência política

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A política brasileira segue um tanto confusa e tumultuada, com a população ainda nuito descrentes em seus representantes. Além disso, ainda não ficou claro, depois do abalo pelo qual passou a políticana última semana, quem serão os sobreviventes. Sabemos que o escândalo atingiu de forma determinante Aécio Neves e Rodrigo Rocha Loures, que devem perder os mandatos e ficar sem o foro privilegiado. A questão que permanece, entretanto, é saber até onde vai o fôlego de Michel Temer.

 É importante perceber que o tempo na política se move de forma diferente, assim como os reflexos de um escândalo. Na dia mais agudo da crise, certo de que os áudios não o atingiriam de forma letal, Temer resolveu enfrentar de forma inteligente o iminente colapso que seu governo estava sofrendo. Enquanto muitos acreditavam que vinha uma renúncia, o presidente surgiu  firme, indignado, claro, convicto. Mostrou a liderança. Um pronunciamento preciso que, naquele momento político, estancou o desmonte ministerial que começava a tomar forma. Os ministros recuaram de suas demissões e resolveram aguardar. Com seu movimento, Temer ganhou o tempo que precisava.

 Apesar de sua atitude soar reprovável aos ouvidos de muitos em alguns momentos da conversa, não havia no áudio gravado por Joesley Batista, como noticiado, uma fala que pudesse desencadear um movimento político que levasse Temer a cair. No dia seguinte, os jornais estampavam que o diálogo era inconclusivo, ou seja, faltavam elementos que incriminassem de forma determinante o presidente da República.

 A ausência de perícia nos áudios também fortalece a posição de Temer. Especialistas falam em mais de 50 cortes na conversa gravada no Palácio do Jaburu, o que compromete a credibilidade das provas apresentadas. Diante disso, o presidente solicitou que a abertura de inquérito contra ele fosse submetida ao Pleno do Supremo Tribunal Federal. Se obtiver maioria ali, será uma vitória maiúscula, sedimentando sua permanência no Planalto.

 No terreno político, vale ressaltar, a saída de Temer não é um passo conveniente. Anteciparia o debate eleitoral, e embaralha a sucessão. Faz surgir a incerteza em uma economia que começava a mostrar sinais de reação. É ruim para o mundo político e econômico. Portanto, diante deste cálculo, caso não existam provas cabais, depois da fase aguda da crise, é mais prudente apostar em sua permanência.