Marinho: eterno camisa 10  da Francana

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Mario

Mário Mota Filho, o Marinho, foi um dos principais jogadores da Associação Atlética Francana na conquista do título de 1977, quando a Veterana subiu para a Primeira Divisão do futebol paulista ao bater o Araçatuba, no Lanchão, por 2 a 0.

Após encerrar sua carreira de jogador profissional, Marinho, que é natural de Santos, permaneceu em Franca exercendo outra atividade (representante de calçado), mas por um período preferiu ficar no anonimato, evitando falar sobre futebol e sobre a própria Veterana.

Ele revelou à reportagem que não falava mais sobre a Francana porque ficara muito chateado com algumas coisas que aconteceram no clube da Simão Caleiro, que o deixava envergonhado. Mas disse também que nunca deixou de gostar do clube e acredita que a agremiação ainda vai dar a volta por cima, apostando no trabalho da atual diretoria.

O eterno camisa 10 da Francana fala da união do time de 77, mas que também haviam cobranças entre os jogadores. “Não era só um líder naquele time. Tinha Geninho e Assis que gritavam com a equipe quando necessário. Mas eles tinham o respeito de todos”.

Marinho revela qual parte do Lanchão gostava mais de atuar e, diz que encerrou a carreira por conta de uma lesão no joelho.

Maestro de uma equipe que não sai da memória da torcida, ele disse que tem boas recordações daquele time que venceu o Araçatuba com: Geninho; Gasparzinho, Boca, Zé Mauro e Eraldo; Renê, Zé Antonio e Marinho; Delém,Assis e Antenor.

 

 

DIÁRIO DA FRANCA – Você tem acompanhado a Francana atualmente?

MARINHO – Passei um período trabalhando muito, mas agora estamos mais por dentro das coisas daFrancana. Esse trabalho que a diretoria vem fazendo me sensibiliza e lembra 77 (1977) quando a cidade fechou com a equipe e conquistamos o acesso.

 

DIÁRIO – Você temlembrança nítida dos gols daquela decisão em sua mente?

MARINHO – Aquela partida nos poderíamos jogar 10 vezes que venceríamos 9. Todos falavam em vitória e tudo estava propício com um Lanchão lotado. Tudo estava predestinado. Me lembro de tudo como foi.

 

DIÁRIO – Você ficou um período sem falar de Francana, o que aconteceu? Tem alguma mágoa apesar da conquista?

MARINHO – Realmente eu me afastei.Depois da Francana fui jogar fora e me distanciei naturalmente, mas todos meus filhos nasceram aqui. Também fiquei chateado com aquele papo de vender o jogo contra o Marilia. Isso deixava a gente em uma situação delicada. Eu me aborrecia muito. Depois tivemos outra chance contra a Portuguesa (Santista) e perdemos nos pênaltis, uma coisa absurda. Isso desmotiva. Mas quanto ao meu amor àFrancana, ele nunca morreu.

 

DIÁRIO – Qual a parte do Lanchão que você mais gostava de jogar, que dava mais sorte durante as partidas?

MARINHO – Do lado esquerdo da entrada (dos vestiários) nos treinavam muito e eu lançava por reflexo. Tinha o Antenor de um lado e o Assis na área, aí era só acertar os passes. De tanto treinar os jogadores se adaptam melhor em determinados lugares do campo e ali era o meu espaço.

 

DIÁRIO – Em que clube você jogavaantes de vir para a Francana?

MARINHO – Vim do Operário de Campo Grande. Fiquei aqui de 76 a 82, depois fui emprestado ao Barretos e consequentemente para outros tantos clubes.

 

DIÁRIO – Em que clube você encerrou sua carreira?

MARINHO – Foi no São Paulo de Rio Grande do Sul, com um problema grave no joelho.

 

DIÁRIO – Você era um meia-esquerda nato. Como você vê essa mudança com alguns treinadores abdicando de jogadores especialistas na função para escalar muitas vezes um volante?

MARINHO – O canhoto realmente da uma estabilidade maior ao time.  O canhoto é o seguinte: Ou ele chuta muito ou ele tem uma visão de jogo fora do comum. Hoje o futebol é muita força e, por isso muitos técnicos gostam de jogadores com maior poder de marcação.