Aumenta idade média de pessoas mortas por Aids

Em Franca há 1253 pessoas com acompanhamento médico e 15 óbitos no período de um ano

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Um boletim SP Demográfico da Fundação Seade, mostra a evolução dos dados de mortalidade por Aids em todo o país. Apesar das pessoas infectadas viveram mais tempo atualmente, o crescimento da doença ainda assusta.

Em Franca, são pelo menos 1.253 pessoas com acompanhamento médico com idade entre 25 a 49 anos, na maioria. No período de junho de 2015 ao mesmo mês de 2016, o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), localizado no Centro de Saúde, registrou 92 novos casos, sendo 72% dessas pessoas de Franca e 28% da região.

Segundo Karla Delvalle, coordenadora do CTA de Franca, 48% da população contaminada é da categoria homossexual, 40% heterossexual e 12% bissexual. Nesse período foram registrados 15 óbitos, sendo 10 do sexo masculino e 5 feminino. O número é menor em relação ao ano de 2014, quando Franca registou 26 mortes. “Estou trabalhando no CTA de Franca há cinco anos e esse número de infectados vem aumentando”, disse Karla.

A epidemia de Aids no Brasil teve início na década de 1980, atingindo em sua maioria homens. No Estado de São Paulo, as taxas de mortalidade por Aids registraram o pico em 1995, com 35,1 óbitos masculinos por 100 mil homens e 11,0 femininos por 100 mil mulheres. A partir de então, observa-se declínio da mortalidade, em função da introdução, em 1996, de antirretrovirais altamente potentes (“coquetel”) no tratamento dos pacientes, chegando, em 2015, a 8,4 óbitos por 100 mil homens e 3,7 por 100 mil mulheres. Os homens continuam liderando nesse indicador, apesar de as diferenças terem se reduzido.

A taxa de mortalidade para o grupo de 25 a 29 anos diminuiu 92%, para ambos os sexos, entre 1995 e 2015, destacando-se os diferenciais por sexo, em que as taxas passaram de 27,4 para 1,8 óbitos por 100 mil mulheres e de 82,1 para 6,9 óbitos por 100 mil homens.

Apesar de ser uma doença infecciosa, atualmente a Aids vem apresentando caráter crônico e a crescente sobrevida tem contribuído para o aparecimento de problemas de saúde decorrentes do envelhecimento dos pacientes, da exposição prolongada à terapia antirretroviral, ou ainda de fatores de risco presentes na população em geral.

Esse cenário de envelhecimento pode ser constatado no aumento da idade média entre os indivíduos que morreram por Aids. Em 1990, esse indicador era de 33 anos para os homens e de 29 anos para as mulheres, registrando um acréscimo bem expressivo, em 2015, quando a idade média ao morrer de Aids passou para 45 e 46 anos, respectivamente, com as mulheres superando o indicador masculino. Verifica-se, assim, um comportamento mais próximo ao da mortalidade total da população residente no Estado de São Paulo em 2015, em que a idade média ao morrer é menor para os homens (62 anos) em relação às mulheres (68 anos).