Governo Trump gera record de correções

Alto escalão tenta colocar panos quentes em declarações do chefe que geraram mal-estar diplomático

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Secretarios

Nas últimas duas semanas, três dos principais secretários de Donald Trump e o seu vice, Mike Pence, se revezaram para tentar acalmar governos aliados e vizinhos após declarações polêmicas ou ambíguas do presidente.
Em viagens aos exterior, os membros do mais alto escalão do governo tentaram desviar o foco da abordagem nem um pouco diplomática de Trump —seja em discursos ou pelas redes sociais— ou simplesmente rejeitaram posições já defendidas publicamente pelo presidente.
Foi o caso de Pence, que, em Bruxelas, preferiu ressaltar a líderes europeus que os EUA manterão seu “forte compromisso” com a União Europeia, após Trump dizer que o bloco era “basicamente um veículo para a Alemanha” e que o continente estava uma “bagunça terrível” por receber um grande número de refugiados.
“Apesar das nossas diferenças, nossos dois continentes compartilham a mesma herança, os mesmos valores e a mesma proposta de promover a paz e a prosperidade”, disse Pence. “Essa é a promessa do presidente Trump: vamos permanecer ao lado da Europa hoje e todos os dias.”
Após se reunir com Pence, o presidente do Conselho Europeu (órgão executivo da UE), Donald Tusk, elogiou a mensagem, mas disse que “europeus e americanos devem praticar o que pregam”.
Dias antes, o secretário de Defesa, James Mattis, levara aos parceiros da Otan (aliança militar ocidental) a mensagem de que a organização é o “alicerce fundamental para os EUA e para toda a comunidade transatlântica”.
Ainda durante a campanha, Trump havia afirmado que a Otan estava “obsoleta” —o que gerou mal-estar entre os aliados. Desde que assumiu, ele tem se concentrado em cobrar que outros membros façam contribuições financeiras maiores à aliança.
Mattis ainda precisou afirmar, durante visita ao Iraque, que os EUA “não estão no país para tomar o petróleo de ninguém”. Em seu segundo dia no poder, Trump havia afirmado, em visita à sede da CIA (agência americana de inteligência), que os EUA “deveriam ter ficado com o petróleo” do Iraque. “Mas tudo bem. Talvez vocês tenham outra chance”, disse, numa sugestão controversa.
Na última semana, foi a vez de os secretários de Estado, Rex Tillerson, e de Segurança Doméstica, John Kelly, colocarem panos quentes na relação com o México, a mais abalada do governo.