Corrupção e filosofia

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Lev Chaim*

 

Na minha cidade, na Holanda, com 1400 habitantes, todos tem o seu nome e sobrenome pintado na porta de sua casa, com letras deitadas e elegantes. O meu nome, por incrível que pareça, está em português e é o mesmo que no hebraico – Lev Chaim, que uso em meus artigos, para não entrar em conflito com a radio holandesa para qual eu trabalhava. Era assim e assim ficou. O número da casa também é pintado a mão. Isto para manter o padrão e norma de antiguidade da cidade, que na década de 60 foi todinha restaurada. A minha residência, por exemplo, tem 350 anos de idade. Dito dito, posso contar esta próxima história a vocês.

 

Quando entrei em casa, havia um garoto olhando os nomes da porta de entrada. Quando coloquei a chave na porta, ele me perguntou em holandês: “Senhor, em qual língua está escrito o seu nome?” Sorrindo, eu lhe respondi: “Em português”. Mais do que depressa ele falou: “Ah! De Portugal? Já fui lá de férias!”.  Ai, me passou um calafrio pela espinha. Diria ou não diria? Sim, a verdade é sempre melhor: “Mas eu sou do Brasil”. E mais do que depressa ele perguntou: “Mas no Brasil também se fala o português?”. Eu disse que sim. Ele, sorrindo, agradeceu e continou a sua inspeção das portas.Logo vou lhes dizer o porquê do calafrio.

 

Quase todos os dias, nos jornais da Holanda, aparecem os escândalos de corrupção no Brasil. Tem hora, que até eu estremeço de raiva e desespero de ver tanta coisa ruim acontecendo. E pensando tudo isto, me meio à cabeça uma frase famosa do nosso grande jurista Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

 

Ao tentar dar uma tinta filosófica ao meu desespero com relação ao Brasil de hoje, lembrei-me também , ﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽em, ao ver este perao e e pende sobre a cabeça de todos nme do presidente sul-africano, que iverem, ao ver este perao de uma frase de Sócrates, que sempre está na minha cabeça, desde que comprei uma tela com o tema do Filósofo grego. Vejam só: “É muito mais fácil corromper do que persuadir”. Foi isto que aconteceu no Brasil com um partido chamado PT e Associados, ao tomarem o poder e achacarem o Estado de todas as formas possíveis e imagináveis, corrompendo o maior número possível de pessoas,de todos os setores da sociedade.

 

E dai, parti a buscar mais coisas que pudessem me ajudar a alinhar os meus pensamentos confusos com relação ao Brasil. Nesta, encontrei uma frase de Montesquieu, que me abriu os olhos para uma verdade profunda e irrevogável: “A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”.  Lembrei-me de quando Lula foi eleito pela primeira vez. Não votei nele, mas escutava alguém que havia votado e estava eufórico: “Conseguimos quebrar a hegemonia das classes dominantes dos tempos coloniais”. Ai, pensei comigo mesmo que se tudo der certo, podemos fazer história. E num certo momento, todos nós, aqueles que não tinham votado em Lula, pensamos que ele estava fazendo um bom governo e criando oportunidades para todos.

 

Foi tudo ilusão. Na verdade, ele estava querendo implantar lentamente aqui o regime autoritário e ditatorial cubano, onde só a classe que manda tem privilégios. Aos poucos, fomos tomando conhecimento de suas ladroagens e o tanto de dinheiro que ele roubou em proveito próprio e dos amigos. É claro que muitos gaviões velhos da política brasileira se aninharam neste cesto de prendas gordas que Lula lhes propiciava. E depois de dois mandatos, ele empurrou ao Brasil a sua candidata, Dilma Roussef, mentindo a todos sobre a sua capacidade de administração.

 

Ela veio, reinou junto com o Lula nos bastidores, apenas para dar cobertura à máfia bandida que havia se instalado no poder e fazer o que queria, até mesmo quebrar um dos orgulhos da nação, a Petrobrás. Ai, eu peço a ajuda de um outro filósofo para trazer mais clareza em meus pensamentos e mostrar que a filosofia não é uma coisa tão distante, mas muito perto do dia-a-dia. O filósofo Sólon: “Leis são como teias de aranha: boas para capturar mosquitos, mas os insetos maiores rompem sua trama e escapam”.

 

Hoje, não existe uma viva alma, com plena consciência de si própria, que ainda apoia esta bando de corruptos bandidos que estão no poder por todos os lados. Só eles mesmos que ainda se protegem uns aos outros, como uma grande teia de aranha sinistra, que pende sobre nossas cabeças.Por isto é que digo e sempre direi: Bendita a hora que apareceu o juiz Sérgio Moro e sua equipe, que formaram a instituição ‘Lava Jato’, com tanta garra, que vai entrar para a história da Nação Brasileira.

 

‘Não há mau que dure para sempre’, já dizia a minha avó. E assim, espero alegremente, acreditando que Rui Barbosa e todos esses filósofos que aqui mencionei, estejam certos e, de uma forma ou de outra, fazendo uma festa de roda, seja a onde estiverem, ao testemunhar este período negro da história do Brasil ser desvendado, pouco a pouco, aos olhos de todos. E uma coisa eu digo: a expurgação completa só acontecerá mesmo com a prisão do chefe, o Lula que, algumas vezes, eu até chamo de Zuma – sobrenome do presidente sul-africano, tão corrupto quanto o Lula, mas que ainda não roubou tanto quanto os nossos políticos.

 

Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todos os sábados para o Diário da Franca.