Tempos de apreensão

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Donald Trump assumiu ontem como o 45º presidente dos Estados Unidos da América. A partir de agora, o mundo passa a testemunhar tempos de apreensão e incertezas, com o republicano e ex-apresentador de tevê à frente da mais poderosa potência global. Logo após o anúncio de sua vitória, ele já deixava a comunidade internacional e expressiva parte da população de seu país sobressaltadas com a confirmação de que cumpriria as controversas promessas de campanha. Trump vem reafirmando, principalmente por mensagens eletrônicas, sua personalidade violenta e imprevisível — alguns a classificam também como vingativa —, traços que podem interferir na condução harmoniosa de seu país e em relação com o mundo.

Trump reafirmou, entre outras coisas, que construirá um muro na fronteira com o México para barrar a entrada de imigrantes em território norte-americano, rasgará os acordos internacionais relativos ao controle do efeito estufa, incentivará a indústria de combustíveis fósseis e vai rever o restabelecimento das relações diplomáticas com Cuba, assim como o acordo nuclear com o Irã. Em declarações consideradas intempestivas, também fez duras críticas a aliados históricos e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), pedra angular da política externa dos EUA, após a Segunda Guerra Mundial.

Ao criticar a União Europeia (UE), a Otan e a política dos países europeus de acolhimento aos refugiados asiáticos e africanos, Trump escolhe o caminho do isolacionismo, ferindo de morte os compromissos fundamentais da ordem internacional que os EUA promoveram nas últimas décadas, sempre em defesa da democracia. Postura que exacerba nacionalismos ressurgentes na Europa que, no século passado, foram combustível para o florescimento de regimes totalitários e a consequente deflagração de duas guerras mundiais.

Numa total inversão de valores prevalecentes até então, ao responder a ataques de Trump à economia chinesa, o presidente da comunista China, Xi Jinping, saiu em defesa do livre comércio. O chefe do país, cuja economia é controlada pelo Estado, também criticou duramente o protecionismo prometido por seu colega norte-americano. E nesta semana, em pronunciamento na Organização das Nações Unidas (ONU), mandou um recado ao republicano de que os tempos de hegemonia de um só país é algo do passado.

Como se vê, motivos não faltam para o clima de apreensão no mundo todo.