O Brasil tem jeito

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Paulo Skaf

 

Que 2016 foi um ano difícil, isso ninguém discute. Mas afirmar que foi perdido já não concordo. Como posso dizer que foi arruinado um ano em que a confiança voltou a fazer parte do dia a dia dos brasileiros e os pequenos negócios paulistas, mesmo com queda acumulada de receita, conseguiram girar cerca de R$ 500 bilhões, mantendo 7,3 milhões de pessoas ocupadas? Com todos os problemas, não foi também perdido um ano em que 51% das lojas on-line tiveram lucro ou uma promoção do comércio movimentou cerca de R$ 2 bilhões num único final de semana.

 

Saindo do campo das estatísticas e passando para a observação dos acontecimentos cotidianos, nem sempre retratados com destaque, temos razões para não ceder ao pessimismo total ao conhecer os projetos apresentados por alunos de ensino profissionalizante durante a Olimpíada do Conhecimento deste ano.

 

Esse é o nosso sentimento ao vermos a casa container, o carro não poluente e compartilhável nos moldes do sistema de bicicletas de aluguel -, o aplicativo que permite o reaproveitamento de resíduos eletrônicos. Ou o ânimo dos formandos do ensino médio da Escola de Negócios Sebrae-SP que ganharam mais que um diploma: receberam um diploma para empreender com qualidade e competitividade. Desta turma saiu uma empresa virtual de comércio de eletrônicos, o aplicativo SOS Fácil, direcionado para segurança e saúda da terceira idade, projeto vencedor do desafio de uma gigante da internet e do aplicativo para mobile Mariazinha, para denúncia de violência doméstica. Ideias premiadas, inovadoras, provedoras de soluções para a sociedade e prontas para conquistar o mercado.

 

A realidade brasileira contém tudo isso, e certamente outras boas histórias, num ano em que também convivemos com um dos maiores níveis de desemprego das últimas décadas, com uma taxa de juros que impede o crescimento e a competitividade de nossos produtos e serviços e uma inflação resistentemente alta. Sem dúvida, ainda estamos em crise.

 

Tal cenário, à primeira vista paradoxal, multiplica nossa responsabilidade e nos anima a continuar lutando pelo fortalecimento do setor produtivo e do livre empreender. E não há alternativa saudável que não passe pelas reformas estruturantes. Primeiro limitando o crescimento de gastos do governo, depois reestruturando a Previdência e, em seguida, dando fôlego para mudanças que flexibilizem a lei trabalhista – de 1943 – permitindo que os acordos entre trabalhadores e empregadores se sobreponham às amarras da legislação.

As conquistas importantes demonstram que a postura firme na defesa do setor produtivo é fundamental e, por isso, continuará fazendo parte de nosso dia a dia. Avançamos bastante, mostrando que o Brasil tem jeito, mas ainda há muito por fazer para transformar nosso País numa economia realmente sustentável e numa nação desenvolvida.

 

Paulo Skaf é presidente do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa no Estado de São Paulo (Sebrae-SP)