Mundo recebe 2017 sob forte segurança

Na Austrália, 2 mil policiais extras foram chamados; em Nova York, houve 165 veículos 'bloqueadores'

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ano-novo-australiaO mundo se preparou neste sábado (31) para uma longa noite de celebrações para receber 2017 em meio a fortes medidas de segurança, ao término de um ano abalado por uma série de ataques contra civis.
Istambul, Orlando, Bruxelas, Ouagadougou, Bagdá… A lista de cidades atingidas por ataques extremistas em 2016 é longa.
Em Nice (86 mortos no dia 14 de julho) e Berlim (12 mortos em 19 de dezembro), caminhões avançaram contra a multidão, o modus operandi mais temido pelos serviços de segurança neste Ano Novo.
No entanto, milhões de pessoas saíram sucessivamente às ruas de Oceania, Ásia, Oriente Médio, África, Europa e América para comemorar a chegada de um ano repleto de incertezas políticas e geopolíticas.
Devido à diferença de horário, Sydney foi às 13h GMT (11h de Brasília) a primeira grande metrópole a receber o novo ano, que começou com 12 minutos de um show pirotécnico em sua emblemática baía.
Mas a Austrália também está na linha de frente da luta contra o terrorismo. Um total de 2.000 policiais extras foram mobilizados em Sydney após a prisão de um homem por “ameaças vinculadas ao Ano Novo”. Há uma semana, o governo já havia afirmado ter frustrado um “complô terrorista” para o dia de Natal em Melbourne.
“Encorajo todos a aproveitar o Ano Novo sabendo que a polícia faz tudo o que pode para garantir a segurança”, declarou o primeiro-ministro do estado de Nova Gales do Sul, Mike Baird, para tranquilizar o milhão e meio de pessoas esperadas para sábado nas imediações da ponte da baía e da Ópera.

Paris volta a ser uma festa
A segurança esteve no centro das preocupações em todos os continentes. A Indonésia também disse ter frustrado um projeto de atentado de um grupo ligado ao Estado Islâmico (EI) no Natal em Jacarta e dezenas de pessoas morreram nas Filipinas nos últimos dias em ataques atribuídos a extremistas.
Israel, por sua vez, divulgou na sexta-feira uma advertência sobre os riscos “imediatos” de atentados contra turistas, em particular israelenses na Índia.
Em Nova York, 165 veículos “bloqueadores” – como caminhões de lixo – foram colocados em “locais estratégicos” e, principalmente, nas imediações da Times Square, onde mais de um milhão de pessoas acompanharam a tradicional descida da bola que anuncia a mudança de ano.
Em Berlim, as autoridades colocaram blocos de concreto e veículos blindados nas artérias que conduzem ao Portão de Brandemburgo. Em Colônia, o número de agentes foi multiplicado por 10 para evitar que se repetisse a onda de ataques sexuais cometidos por migrantes registrados no ano passado e que provocaram uma onda de indignação na cidade.
Os dispositivos de segurança também foram reforçados em Roma, especialmente em torno da Basílica de São Pedro, onde o papa Francisco lidera durante a tarde o tradicional Te Deum.
Depois de uma véspera de Ano Novo sombria em 2015 após os atentados de 13 de novembro, Paris voltou a ser uma festa. Meio milhão de pessoas eram esperadas para se reunir na Champs Élysées, sob forte segurança, com quase 100.000 policiais, gendarmes e militares mobilizados em toda a França.
Em Madrid, a Puerta del Sol já esperava os 25.000 privilegiados que receberiam o novo ano comendo uvas no compasso das doze badaladas da meia-noite, protegidos por cerca de 800 agentes das forças de segurança.

Mais um segundo
No Rio de Janeiro, mais de dois milhões de pessoas tomaram a praia de Copacabana. Mas o espetáculo dos fogos de artifício foi reduzido de 16 para 12 minutos devido à crise e à falta de financiamento em uma cidade que tenta se recuperar do custo exorbitante da Copa do Mundo futebol de 2014 e dos recentes Jogos Olímpicos.
A América foi o último continente a entrar em um novo ano, que se anuncia repleto de incógnitas, começando pela chegada à Casa Branca de Donald Trump, uma pessoa que ninguém teria apostado que venceria a disputa no início de 2016.
Também há incerteza sobre o conflito na Síria, cuja onda expansiva se propaga há quase seis anos muito além do Oriente Médio. Um cessar-fogo está em vigor desde 30 de dezembro, no qual são excluídos os grupos considerados terroristas, como o EI.
Mas antes de entrar no ano novo, os cidadãos de todo o mundo tiveram mais um segundo para aproveitar esta noite especial.
O minuto que foi das 23h59 às 00h00 durou um segundo a mais, 61, devido à inclusão de um “segundo intercalar” que permite sincronizar o tempo astronômico da rotação da Terra com a escala de tempo atômica, muito mais precisa.