Eike é incluído na lista da Interpol

Alvo da Lava Jato, empresário agora é considerado foragido e procurado pelo polícia internacional

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Eike
O nome do empresário Eike Batista, alvo de um mandado de prisão preventiva da operação Eficiência, braço da Lava Jato deflagrado nesta quinta (26), no Rio, foi incluído na difusão vermelha da Interpol (Polícia Internacional).
O empresário não foi encontrado na manhã desta quinta em sua residência na capital fluminense e formalmente é considerado foragido pela PF, já que passou a ser incluído no sistema de busca e captura da Interpol.
A defesa de Eike, porém, informou que negocia com as autoridades brasileiras o retorno do empresário, que está nos Estados Unidos, ao país. O advogado Sérgio Bermudes, que representa Eike em causas cíveis, nega que o empresário tenha viajado com o objetivo de escapar da Justiça.
Eike Batista é suspeito de ocultar US$ 16,5 milhões de propina de Cabral (PMDB) no exterior. A PF ficou cerca de que quatro horas na residência do empresário no Jardim Botânico, zona sul do Rio, onde também cumpriu mandado de busca e apreensão. Os policiais deixaram a casa por volta das 10h.
A operação desta quinta investiga crimes de lavagem de dinheiro e ocultação no exterior de cerca de U$ 100 milhões em remessas contínuas desde 2002. De acordo com a PF, boa parte dos valores já foi repatriada.
Segundo os procuradores, a organização criminosa liderada por Cabral movimentou R$ 39,7 milhões entre agosto de 2014 a junho de 2015.
Ao todo foram expedidos nove mandados de prisão preventiva e quatro de condução coercitiva, além de 27 mandados de busca e apreensão de acordo com notas emitidas pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
Das prisões decretadas nesta fase pelo juiz Marcelo Bretas, da sétima vara federal do Rio, já estão detidos o ex-governador Sérgio Cabral, seu ex-secretário Wilson Carlos e o assessor Carlos Miranda. Esse é o terceiro mandado do prisão expedido contra eles.
Quatro pessoas foram presas: o advogado Flávio Godinho, vice-presidente de futebol do Flamengo, Thiago Aragão (sócio de Adriana Ancelmo), Álvaro Novis (doleiro) e Sérgio de Castro Oliveira (operador suspeito de abastecer Carlos Miranda). Francisco Assis Neto, outro suspeito de integrar o esquema, ainda não foi localizado.
Godinho é acusado de lavar dinheiro no esquema de pagamento de propinas direcionadas à Cabral, com uso de contratos fictícios.
Entre os alvos de condução coercitiva estão a ex-mulher de Cabral, Susana Cabral, o irmão do ex-governador, Maurício Cabral, Eduardo Plass, ex-gestor TAG Bank e da Opus, e de Luiz Arthur Andrade Correia, que já fora preso na 34ª fase da Lava Jato, em setembro.
A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa dos demais alvos.

DEPOIMENTO ESPONTÂNEO

Eike já havia sido citado na Operação Calicute -primeira etapa da Lava Jato no Rio, que prendeu o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ)- por ter repassado R$ 1 milhão ao escritório de advocacia da ex-primeira-dama do Rio Adriana Ancelmo. Ela está presa desde dezembro, sob acusação de usar a banca para movimentar a propina arrecadada pela quadrilha.
Em depoimento espontâneo aos procuradores, Eike disse que esse pagamento se referia a um investimento orientado pela Caixa Econômica Federal.
De acordo com a força-tarefa da Lava Jato no Rio, a Caixa negou ter sugerido a operação financeira.
O empresário manteve relação próxima com Cabral e sua família, tendo financiado políticas públicas no Rio -como a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas e as Unidades de Polícia Pacificadora-, bem como momentos de lazer do casal. O ex-governador e a mulher viajaram 13 vezes em jatos do empresário, tanto a turismo e para compromissos oficiais, como revelou a reportagem no dia 8.
Em 2016, o empresário também depôs espontaneamente à força tarefa da Lava Jato em Curitiba -seu testemunho ao Ministério Público Federal resultou no pedido de prisão de Guido Mantega. Eike afirmou que ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu-lhe um pagamento de R$ 5 milhões para o PT, em novembro de 2012.
Na época, Mantega era presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Sob orientação do partido, ele teria firmado um contrato fraudulento com uma empresa do casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, para realizar as transferências.
Os pagamentos foram feitos no exterior, num total de US$ 2,35 milhões.