EUA expulsam 35 diplomatas russos

Obama impõe sanções à Rússia por ação de hackers em eleições; Putin promete 'resposta apropriada'

642

obama-e-putin

O presidente Barack Obama impôs nesta quinta-feira (29) sanções à Rússia em retaliação à suposta interferência de Moscou nas eleições presidenciais americanas por meio do vazamento de e-mails do Comitê do Partido Democrata.
Os alvos da medida foram funcionários do governo russo e serviços de inteligência do país. O Departamento de Estado também expulsou 35 diplomatas russos da embaixada em Washington e do consulado em São Francisco, dando a eles e suas famílias 72 horas para deixar o país.
“Essas ações vêm depois de alertas públicos e privados que fizemos ao governo russo, e são uma resposta necessária e apropriada aos esforços de prejudicar os interesses dos EUA numa violação às normas de comportamento internacionais estabelecidas”, disse Obama em comunicado.
Segundo o presidente americano, as sanções anunciadas nesta quinta não são toda a resposta americana à agressão russa. “Vamos continuar tomando uma série de ações quando e onde quisermos, e algumas delas não virão a público”, completou.
Os diplomatas foram declarados “persona non grata” por atuarem “de maneira inconsistente com seu status diplomático”.
Obama disse ainda que Moscou não terá mais acesso a duas instalações russas, em Maryland e em Nova York.
O governo de Vladimir Putin nega as acusações de que estaria por trás dos ataques de hackers contra o Comitê do Partido Democrata, que derrubaram sua presidente às vésperas da convenção do partido que chancelou a candidatura de Hillary Clinton, em julho.
Segundo a inteligência americana, o objetivo da Rússia era ajudar o republicano Donald Trump a vencer -o que o empresário também nega.

‘Resposta apropriada’

A Rússia disse duvidar da efetividade das sanções aplicadas nesta quinta-feira (29) pelos EUA ao país pela suposta interferência na eleição presidencial americana, vencida pelo republicano Donald Trump.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o presidente Vladimir Putin dará “uma resposta apropriada” às expulsões de 35 agentes, ao fechamento de instalações russas e às punições às agências de inteligência.
“Estes passos deste governo americano que só tem mais três semanas de trabalho têm dois objetivos: prejudicar ainda mais os laços entre EUA e Rússia, da mesma forma que dar um golpe nos planos da próxima administração.”
Peskov voltou a negar qualquer interferência do governo russo na votação. Segundo os americanos, os ciberataques e vazamentos de informações que prejudicaram a campanha da democrata Hillary Clinton foram ordenados por Moscou.
Mais cedo, o comissário da Chancelaria russa para Direitos Humanos, Konstantin Dolgov, considerou que as sanções são contraproducentes e devem prejudicar a recuperação das relações com Washington.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento russo, Konstantin Kosachyov, disse que as medidas são “os últimos espasmos de um cadáver político” e que esperará Trump se pronunciar.